sábado, 27 de abril de 2013

FORMIGAS E CIGARRAS

Dorinha menina do Paraná, cidade de Astorrrga
No cafezal cantando e colhendo café para ajudar os pais que eram tão doces... ela me disse várias vezes, muitas coisas doces sobre eles...
Que voz tão alegre, melodiosa, Dorinha.... 

"Cata-catapum,catapum pon candela alza pa´rriba polichinela cata-catapum,catapum,catapum como los muñecos en el pim,pam,pum"

Com seu copinho de colher na mão, colhia e cantava... Até que chamou a atenção dos demais, dentro do cafezais... 
As operárias tão admiradas com voz tão doce, resolveram trabalhar ouvindo a musica da cigarra que só pensava em cantar. E assim, cada um colhia um copinho do fruto e trabalhavam ouvindo Dorinha a cantar
Formigas e cigarras a compartilhar momento tão singular... 
Dorinha passou a infância a colher café, milho, algodão...


"Cata-catapun, catapun pon candela arsa pa'rriba polichinela. Cata-catapun, catapun, catapun como los muñecos en el pim-pam-pum"

Dorinha cresceu, casou, embuchou...Cantava para os filhos, e eles se divertiam com melodia tão alegre, em voz tão doce, e sorriso largo de satisfação
Dorinha sonhando, olhando a estrada.... Sendo formiga, querendo ser cigarra.

"Cata-catapun, catapun pon candela arsa pa'rriba polichinela. Cata-catapun, catapun, catapun como los muñecos en el pim-pam-pum"

segunda-feira, 13 de agosto de 2012



Era um menino do interior
Franzino, espinhas na cara
Pai bravo,
Mãe triste.
Dois irmãos menores do que ele.

O pobrezinho, desde pequenino teve que trabalhar
As coisas não eram nada fáceis

Quando criança, tinha vontade de fugir de tudo, conhecer o mundo, a cidade grande..
Fugiu algumas vezes, mas todas as tentativas foram frustradas,

Em uma das vezes... nem tinha idéia...
Pediu carona para um policial a paisana e foi direto pra delegacia, imaginem só que falta de sorte, ou excesso, vai saber!
O pai foi busca-lo e chegando em casa tomou aquela surra, aliás, foram muitas surras.
Se digo é porque vi. 
Em uma delas a sua cabeça foi de encontro a um prego na parede, o pai quase sempre bêbado, nem se deu conta do que fazia, e no dia seguinte era tudo igual, tudo voltaria ao normal, violência, traição, separação, desilusão.

Um dia, o menino virou homem e viu-se na cidade grande pelo próprio destino que a vida arranjou
E então fugiu para sempre, no álcool, nas favelas, no lodo.

Para ele era mais fácil perceber assim, desse jeito mesmo, que a vida até tinha certa beleza.

O pai morreu, já nem tão bravo,
A mãe, nem tão triste,
E ele, nem tão vagabundo.

Hoje dançam... juntos ao luar, sabe-se lá, em que lugar...

Os dois irmãos, ficaram pra contar...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

conversa entre meninas...

uma amiga disse - É... os cabras são macho! mas só no mato mesmo, tudo caçador!
completei dizendo:  Chega na cidade vira bicho do mato, acuado... com medo danado da flor!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012


Vamos embora
É chegada a hora
De embarcar pra ver o mar

Ir pela trilha
Pra chegar na ilha
Do outro lado de lá
 
Águas cristalindas
Estrelas do mar
O acaso não existe lá

Jangadas e pontes
Morros e mangues
Dava pra ir pelo mar!

Parati Mirim
Para mim
Para ti
Parati Mirim

Teto de pano
Dormir no chão
O galo canta de hora em hora
E o sapo no ribeirão, na escuridão

A galinha cuida dos patinhos
O Esteban late no quintal
Será assombração ou ladrão?
É animal em extinção!

Parati Mirim
Para ti
Para mim
Partir é tão ruim

Márcia Caldeira e Murilo Quintanilha Osada
jan/2012

sexta-feira, 29 de julho de 2011

é incrível a dimensão que as coisas tomam quando num momento de decisão, ouve-se um não, ainda bem que ele pode virar um sim...e o sonho continua!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

borboletinha sagaz   
confundiu-me voando no meio da flor lilás
ambas da mesma cor
borboletinha virando flor
e fazendo amor

domingo, 13 de março de 2011

Tempos Futuros

já nem podemos ver o horizonte
é um monte de telhado, janela, fumaça
não se vê nenhuma fonte
só ponte
concreto
taparam o horizonte
nas grandes cidades
imagine o futuro
objetos voadores por todos os lados
nem poderemos ver o céu
os passarinhos
já temos que pagar pedágio
pra ver o pôr do sol
o mar
a cachoeira
as laranjeiras
as estrelas...
triste demais.

Felipe da Ilha

depois de tanta canseira
tanta luta, tanta labuta
morreu nos braços do mar
seu amigo desde pequeno

teve barco
casa
mulher e filhos

mas por causa dos martírios
que a vida oferece
ele entristeceu
e careceu
beber o seu veneno

perdeu barco
casa
mulher e filhos

depois de 3 dias
foi encontrado
nos braços do mar
seu amigo desde pequeno

11/03/2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Menina

Eu sentia o cheiro do mato
Eu sentia o cheiro da terra
Corria livre como um passarinho

Era menina 
Era menina

Eu comia pão de forno à lenha 
feito na folha de bananeira
Que minha mãe fazia
Eu ouvia as modas de viola ao entardecer

Era menina 

O arco-íris depois do banho de chuva
não era novidade
Os duendes na floresta

Escravos de Jô, jogavam caxangá tira põe deixa ficar ............





sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011













o passado no destino do presente
será um atraso?
ou será mesmo um presente
aquilo que a gente sente?

O compasso da melodia que pulsa
por dentro dirá
se tudo não passou de uma visão
uma ilusão

ou se era verdade então
que o passado no destino do presente
já estava preparado
pra seguir ao seu lado
na brincadeira do tempo

Márcia Caldeira